Quem sou eu

Minha foto
Lucas. 19 anos. Ator. Gosto muito de ler, escrever, uma formiga à busca de novos gêneros musicais e um amante do Cinema.

Sou Gay

Isso mesmo que você acabou de ler no título. Gay. Esse título, ou opção como muitos chamam, chocam muitas pessoas ainda. Chocou, choca, e acredito que num futuro não muito próximo, isso irá se tornar em motivo de orgulho. Não estou dizendo que não temos orgulhos do que nós somos, afinal, somos gays, assim como você é hetero, bi, transexual e essa gama toda que envolve a sexualidade. 

Todos nós, sem exceção, crescemos sendo oprimidos, humilhados, reduzidos a quase nada. Interessante essa redução milenar, não? "Fagot", que significa "bicha" em inglês, tem uma história bem interessante: faggot que é derivado de fag e que esse tem vínculo com twigs que significa "galhos" eram usados para queimar as bruxas lá no século XIII, e os que tinham trejeitos e eram apontados como "homossexuais" eram queimados com os galhos já queimados das bruxas, ou melhor dizendo, não mereciam nem sequer ser queimado numa nova fogueira, eram queimados por algo que já foi queimado, os colocando ainda mais inferior. Essa gíria é sempre usada nos Estados Unidos para ofender, e há muitos casos de suicídios de alunos do ensino médio por ser hostilizado dessa forma, já que um termo carrega uma história, e pesada pra caralho. 

Não há um gay, assim como eu, que não tenha sofrido preconceito. Que não teve a luta interna entre ele mesmo e a sociedade. É como se você tentasse brigar fisicamente com o seu pai ou sua mãe. É algo difícil, algo fora do comum, algo que é impensável. Opção? Quem optaria, em sã consciência, de correr risco na rua? de ser espancado até a morte? de ser torturado fisicamente ou verbalmente em lugares públicos? Se isso for uma opção, me interne, pois estou ficando louco com minhas escolhas. 

"Mulherzinha", "bichinha", "dá o cu", já ouviram todos esses palavreados, né? Agora olhe para seu corpo. Sim, todo ele. Observou? Temos mamilos, não temos? Cientificamente, antes do zigoto se juntar, temos o cromossomo XX, que são características femininas, sem exceção, e logo depois do zigoto se formar, daí são produzidos hormonalmente o cromossomo predominante do ser que está sendo gerado. Tá, falei um monte de coisa que até agora não tem nada a ver, mas, tem sim, vou explicar: todos nós temos características femininas, já que todos temos mamilos, e o termo "mulherzinha" é algo marginalizado, algo feio para homens, e porquê? Ser mulher é algo inferior? é algo que deveríamos nos envergonhar? Não, ser mulher é ser superior, é ter a força que você, homem cis hetero, não tem, que é de dar luz a um bebê e mais além do que você imagina que está ao alcance do intelectual e físico de uma mulher.

"Você é gay e não dá o cu? como assim?" "Quem é a mulher e quem é o homem?", isso se repete muitas vezes com pessoas que estamos conhecendo a pouco tempo, e o que digo sempre a todos é: calma, pessoal, vamos conversar sobre uma coisa de cada vez. Primeiramente, ser gay não é necessariamente dar o cu, como muitos pensam, assim como necessariamente a mulher na relação hetero não faz sexo somente a sua vagina. Segundo, são dois homens se relacionando, não há nem homem nem mulher. Dois homens, fim. Agora sabe esse computador que você está agora? Sim, esse mesmo, bonitinho, entregue na sua mão de mão beijada e que você quer tacar no chão quando trava? Foi inventado por um gay. Caso você seja homofóbico, te dou duas opções: ou vocês repensam a sua ideia, ou vocês quebram esse computador agora mesmo no chão. O nome do criador dos primeiros computadores? Alan Turing, inventor do código morse, que foi o primeiro passo para os computadores de hoje em dia. Esqueça Bill Gates e Steve Jobs, esses não seriam nada se não fosse o Alan. Gays na época da segunda guerra mundial se descobertos? Ou iriam para prisão, ou seriam mortos, ou então aceitariam um método de tratamento hormonal para castração do pênis (o remédio murchava o pênis te impossibilitando de fazer suas necessidades, tanto fisiológicas quanto sexuais) e te levaria lentamente à morte. 

O que quero com esse texto? Quero dizer que, escrevendo ele agora, dizer para você que está lendo, que ser gay é ser orgulho, ser gay é ser normal assim como todo mundo, ser gay está muito além das relações sexuais da qual todo mundo pensa e aponta, seja por pessoas ou pela própria televisão, ser gay é poder mudar coisas, construir coisas, e quer saber mesmo? Acho que somos o futuro na nação. Não estou dizendo que iremos tomar conta do mundo (e se?), pois somos 10% mundialmente, o que soa piada falar "queremos transformar o mundo numa parada gay", mas somos o futuro na tecnologia, na moda, na televisão, nas relações internacionais, na literatura, na arte. Seremos pioneiros e encontraremos um ponto comum nisso tudo. 

Nós gays? Somos humanos, assim como você. Amamos, choramos, ficamos alegre, vamos ao banheiro quando estamos apertados, torcemos para time de futebol, não sabemos dançar algumas coisas, temos filhos, casamos... somos gays!


15 álbuns que ainda dá tempo de você escutar esse ano

Imagem meramente ilustrativa. Tem nada a ver esses álbuns aí.


O ano tá acabando, teve muitas coisas ruins acontecendo, mas muitas coisas boas também, né mesmo? Por exemplo: muitos álbuns bons saíram esse ano, e muitos álbuns que não são exatamente desse ano e que são ótimos e que você esqueceu de escutar ou muito menos ouviu falar! Vou deixar aqui vinte dos mais legais que escutei esse ano, incluindo antigos, novos e por aí vai essa mistura maravilhosa que são albuns de cantores foderosos. Vamo lá!

CONVOQUE SEU BUDA - CRIOLO


Três álbuns. Um cara. Muita fodança pra uma carreira só. Sim, esse álbum, o último de muitos outros do Criolo, é um dos melhores até agora. Como sempre, sendo político, sarcástico e que coloca você pra pensar (e pesquisar) também, Convoque Seu Buda fica em primeiro lugar pela sua diversidade. E o melhor de tudo: você clica aqui e baixa o álbum inteirinho. As melhores faixas é "Convoque Seu Buda", "Cartão de Visita" e "Fermento pra Massa".

LIONESS: HIDDEN TREASURES - AMY WINEHOUSE


Sabe aquela cantora que te deixa uma saudade imensa? Mas que também deixou um legado por isso? É isso, esse álbum junta todas as "versões escondidas" que quase ninguém tinha escutado até então, e ó: muito bom, viu? E também temos algumas demos e tudo mais nesse álbum que vale a pena ser baixado e escutado repetidas vezes (muitas mesmo). As melhores faixas são "Valerie" (uma versão primeirona, mas que ficou ótima), "The Girl of Ipanema" e "A Song for You". Tem no Spotify, viu? 


SONIC HIGHWAYS - FOO FIGHTERS


Tinha um tempão que o Grohl não lançava alguma coisa, deve ter tirado umas férias pra curtir a vida, já que quando volta, volta com tudo, né? Esse é um dos melhores álbuns que a Foo Fighters já fez, mas sem exageros, porém tem que ser ouvido, pois tem umas músicas bem legais e as guitarras então... 


I LOVE YOU - THE NEIGHBORHOOD


Esse é daqueles álbuns chicletes e que você não consegue parar de ouvir porquê aquele refrão maldito te visgou e você agora tá fodido porque isso só vai sair da sua cabeça quando você encontrar um álbum melhor ou mais chiclete que esse. Sim, The Neighborhood tem essa capacidade de te fazer viciar e ficar esperando o próximo álbum. "Weather Sweather"é o ponto de partida pra você colar esse chiclete no seu cabelo. 


SINGS THE GREAT DIVA CLASSICS - ARETHA FRANKLIN



E quem voltou esse ano? Sim, uma das fodonas do Blues que é a Aretha, e como? Cantando músicas que você já escutou e não parava de cantar, mas agora numa pegada mais diferente, que tem até reggae no meio. O álbum é simplesmente, nada mais que, fantástico! Odiei, cinco estrelas. As faixas mais legais são "Rolling in the Deep", "I Will Survive" e "No One". Gente, sério, esse álbum é coisa divina. 


DOWN TO EARTH - FLIGHT FACILITIES


Esperei tanto por esse álbum que vocês não imaginam o quanto. E espero que as músicas te divirtam e grude na cabeça de vocês tanto quanto "Heart Attack" e "Foreign Language" deles conseguiram penetrar na minha cabeça. Costumo não ficar colocando música no seu exato gênero musical, mas esse ficaria no "músicas boas para a vida toda."

WANTED ON VOYAGE - GEORGE EZRA


Indico esse álbum pra quem tá na bad. Sim, vai te colocar pra cima. É bem divertido o álbum, de ritmo a letras! Não sei se era a intenção do Ezra, mas que ele conseguiu, ele conseguiu sim. E se você tá se perguntando se deve ou não escutar o álbum, o Ian McKellen, Gandalf O Branco, indicou ele a todos, logo você está incluso, então não pode desobedecer ao maior mago de todos os tempos, né?

V - MAROON 5


Tinha uma certa aversão ao cantor Adam. E da banda também. Mas daí escutei uma musiquinha aqui, tava cantarolando amanhã, escutei outra lá, e comecei a cantar as duas e fiquei viciado. Sim, esse álbum V é muito bom, mas perde pro Hands All Over, mas não deixa de ser um bom álbum e que gruda que nem chiclete no chão quente. As faixas que vão te deixar louquíssimos são "Maps", "Animals"e "Sugar". 

LIKE DRAWNING BLOOD - GOTYE



Esse é um dos álbuns que não é recente, ele é de 2008 e pra mim, o melhor até aqui do Gotye. Não que o Making Mirrors seja ruim, mas esse é muito mais bem feito e que te faz escutar todas as músicas sem pular uma faixa sequer. E vicia também. Faixas que farão você gostar: todas. A que todos irão ficar repetindo na cabeça: "Heart's a Mess", "Thanks For Your Time" e "Night Drive". 

48:13 - KASABIAN


Nome estranho pra um álbum, né? Mas é interessante, porque são as faixas somadas e que deu nome ao álbum: quarenta e oito minutos e treze segundos. O álbum é incrível! Ele é bem psicodélico, as letras como sempre todas muito inteligentes e... escutem, é Kasabian! 

SKYBOUND - TOM BAXTER

Esse é outro álbum que não é tão recente, é de 2008 também, e foi um dos cantores que achei fuçando aqui e ali, e puft, cliquei nele e fui escutando, escutando, escutando e quando dei por mim... viciado! Sim, a voz gostosa e as letras do Tom faz com que você se apaixone pelo álbum, pela voz, por ele... "Night Like This" é o cartão de visita para você ter certeza do que tô falando. Tem ele no Spotify também, é só clicar e escutar!

CHEEK TO CHEEK - TONNY BENNETT E LADY GAGA


Teve muita especulação e julgamento por causa de uma cantora pop está produzindo um álbum de Jazz. Daí eu me pergunto: qual o problema? Pelo visto, nenhum, viu? Os little monsters tem uma fixação pelo pop que acha que a Gaga só vai fazer a partir de agora álbuns Jazz. E que faça mais outros caso seja necessário, pois o álbum tá foda! Você se sente num musical, as músicas pegam e você tem vontade de entrar numa aula de sapateado no dia seguinte. Dá um pulo lá no Spotify e escuta, ou então baixa, já que tem gente que prefere, tipo eu.


BEAUTIFUL IMPERFECTION - ASA


Sabe aquela voz que te pega de jeito e te põe pra cantar até debaixo do chuveiro? Pois então, essa coisa linda da ASA faz isso com você. As músicas são algumas dançantes, algumas que te dão uma deprê, e por aí vai. As faixas mais legais é "Preacher Man", "Why Can't We" e "Be My Man".

OITO - MARJORIE ESTIANO


E você aí se perguntando "cadê gente do Brasil", né? Pois então, temos uma aqui e das boas! Depois de sete anos sem cantar, Marjorie volta e volta com tudo, e o melhor: cantando brega! Sim, aquelas músicas que você canta sem saber, ou canta quando tá bêbado, tipo Reginaldo Rossi ou Roberta Miranda... o álbum tá muito, mas muito bom mesmo! E tem umas autorais também. 

NO MYTHOLOGIES TO FOLLOW - 


Desliga a luz do quarto. Põe os fones e começa a dançar. Sim, é uma baladinha super gostosa esse álbum da dinamarquesa Karen, conhecida como MØ (não sei como se pronuncia esse negócio, só sei que ela canta muito) e o álbum merece ser escutado antes que o ano acabe.

Que 2015 venha! E que venha mais álbuns como esses!



Tipo de corpo: isso realmente importa?

Como toda pessoa que preze a sua saúde e seu bem estar pessoal, procura sempre estar em sincronia com seu corpo, certo? Não há nenhum mal nisso, muito pelo contrário, devemos sim procurar se exercitar e nos manter vívidos até a nossa terceira idade. 

Repare que não citei coisas do tipo "ficar em forma", "malhar" ou até mesmo "corpo perfeito". Sim, isso tudo foi colocado na sua cabeça. Mas por quem? Por seus pais? Pela sua família? Pelos seus coleguinhas do colégio ou faculdade? Ou a sociedade te cobra um tipo de corpo adequado e "bonito ao seu olhar"? 

Primeiramente, queria deixar claro que seguir um padrão que é seguido por todos é deixar a sua essência de lado, abrir mão de você mesmo e fazer algo que está sendo imposto - assim você pensa - e que você tem a obrigação de fazer para satisfazer aos outros, não a você. Conheço gente de todo tipo, e há aquelas que detestam academia, detestam se exercitar, mas se sentem na obrigação de ficar com o corpo traçado, já que é uma coisa super pedida lá fora. Ego? Digamos que sim. Personalidade? Diríamos que um pouco afetada. 

Já vivenciei momentos em que olharam para mim, simplesmente pelo fato de ser magro - não porque queira, mas algo do biotipo mesmo - e me falarem: "você não come? deveria se alimentar mais! tá magro! é estranho!", e claro, frases como essas fazem você se sentir uma bosta sem ter uma privada pra evacuar... mas, não me abalei, nunca tive problema com meu corpo, e você, leitor, não deveria também. Não deveria, mas há muitos, e logo abaixo irei traduzir (e resumir, pois é muito grande e cansa, me coloco como leitor nessas horas) um texto muito interessante sobre skinny-shaming escrito pela Melissa A. Fabello:

5 razões que nós precisamos parar de pensar sobre "magrofobia" como uma discriminação reversa


Eu sou ativista sobre a imagem do corpo, que tenta trabalhar em solidariedade no caso do movimento de aceitação das pessoas gordas, que são sobreviventes dos transtornos alimentares e que continuam lutando contra questões sobre corpo e tipos de alimentação, e uma pessoa de tamanho médio que fala abertamente sobre os privilégios da magreza.
E por causa da superfície, essa comparação parece reter a água, eu acho que nós precisamos examiná­la um pouco mais de perto para ver por que ­ ao usar uma lente anti­-opressão interseccional ­ é uma falsa simetria.


Sim, skinny­-shaming é escroto

Eu quero ser honesta sobre o fato de que o conceito de "skinny­-shaming" é difícil falar sobre. As pessoas que experimentaram a dor de ser induzido a sentir vergonha de seus corpos querem ser validadas e reconhecidas por isso ­e eles devem ser. Ninguém deve sentir como se seu corpo não "fosse bom o suficiente". (Nota: O seu corpo é bom o suficiente.

E, embora haja problemas com o movimento body-positive, algo que ele tenta trazer é assegurar as pessoas que todos os corpos são merecedores de amor e cuidado. Se queremos ser body positives, então precisamos celebrar todos os corpos e entender que todas as pessoas são induzidas a se sentirem como merda sobre sua aparência. Isso é simplesmente como funciona o capitalismo (a la moda e indústrias de dieta).
"Ela é muito gorda pra vestir aquilo!" "Ela não sabe o quanto ela é espaçosa?" "Ela é desprezível", é essa uma das frases mais usadas contra pessoas gordas
Eu tenho uma relação muito complicada com o conceito "magrofobia".


Mas é claro que eu tenho relação complicadíssima com o "skinny-shaming" (ou melhor dizendo: a vergonha de ser magro). Mas uma coisa que eu venho percebendo com muita frequência sobre a ideia da "vergonha de ser magro" ou "skinny-shaming" (sendo rude ou torcem o nariz sobre pessoas magras) é "discriminação reversa. 


Alguns falam que "se nós queremos coibir corpo e ódio, nós não podemos participar desse ódio ao corpo". E nisso eu concordo. Mas há pessoas que falam que a vergonha de ser magro é a mesma coisa de gordofobia, o que não é verdade.

"Eu nunca diria que skinny-­shaming é qualquer sombra de aceitável."
Não é.
Como ativistas de justiça social, também devemos ter claro que o body-­shaming é uma ferramenta de opressão. Aqui eu falo como, porque skinny­-shaming está enraizada no sexismo ­ que, independentemente dos nossos tipos de corpo, a sociedade policía eles, porque as estruturas patriarcais se beneficiam da criação dessa insegurança é, de fato, em um nível, opressivo. Mantendo mulheres focadas fortemente em sua aparência tem sido, nas palavras de Naomi Wolf, "o sedativo político mais potente na história das mulheres." e quando praticamos o body­shaming estamos contribuindo para essa violência. Mas eu também quero fazer o ponto de que é necessário tomar uma abordagem interseccional para o pensamento feminista, inclusive nas discussões sobre body-shaming. E é que as diferenças entre skinny-­shaming e gordofobia vêm à luz.

Interseccionalidade importa
Vamos falar sobre o conceito de "cabelo bom". Se você nunca ouviu falar disso (ou nunca viu o documentário de Chris Rock), é essencialmente uma ideia dentro de comunidades de cor (especialmente entre as mulheres negras) que quanto mais perto da textura Europeia (isto é, reto e liso ) "melhor" o cabelo é. Claramente, podemos ver como isso é sexista: dizer às mulheres que seu cabelo precisa parecer de uma determinada maneira, a fim de ser bonito ­ e que elas precisam gastar uma enorme quantidade de tempo e dinheiro nele para ele faça algo que não é naturalmente inclinado a fazer ­ é um problema.
Mas se queremos desconstruir e analisar este padrão de beleza, temos que pontuar que é eurocêntrico em sua essência ­ que coloca a Européia (leia­-se branca) como o ideal.

Não é apenas machista. Também é racista.

Às vezes o que você chama 'skinny-­shaming’ não é skinny-­shaming

Vamos discutir a diferença entre igualdade e justiça.

Quando falamos de "igualdade", geralmente o que estamos dizendo é que queremos que todos na sociedade sejam tratados da mesma forma ­ou seja: bem. E isso é ótimo.

Mas não nenhuma varinha mágica ­ não, nem mesmo o feminismo que vai fazer isso acontecer durante a noite. Trabalhar por uma sociedade mais igualitária é um processo. E o processo de administrar essa igualdade ­ em fazer o trabalho duro e conscientização que um dia tornará a igualdade em realidade um dia­ é a busca da justiça.

E às vezes a justiça parece injusta.

Às vezes parece que as pessoas estão recebendo tratamento especial. Mas porque não seria necessário o tratamento especial se a igualdade existisse, é que a justiça é exatamente isso: um nivelamento do campo de jogo.

Pegue o hit do verão "All About That Bass" como um exemplo (pondo de lado os argumentos de que é anti­feminista em sua abordagem apenas por causa deste artigo, embora seja desconcertante).

ouvi pessoas dizendo que enquanto eles estão contentes que a canção celebra corpos que "não tamanho dois," o fato de que a letra gira em torno de "trazer o popozão de volta" é problemático porque eles não abordam o mantra "todos os corpos são lindos". O argumento é que qualquer coisa que coloque corpos gordos como dignos de amor são automaticamente 'magrofóbicos', porque eles não incluem mulheres magras ou porque estão postulando corpos gordos como algo "melhor do que" corpos magros.

Mas aqui está a coisa: como os grupos marginalizados ­ neste caso, estou falando de grupos que têm sido sistematicamente deixado fora de consideração na definição de "beleza" precisam ser fortalecidos e empoderados para chegar no ponto onde estão as pessoas privilegiadas.

É como se alguém usa a hashtag #AVidaDosNegrosImporta e alguém responde com
"Todas as vidas são importantes!".

Sem baboseiras.

É claro que todas as vidas importam. É claro que todos os corpos são merecedores de amor e louvor. Mas apenas algumas vidas ­ e apenas alguns corpos ­ recebem privilégios como um direito de nascença. Todo o resto tem que gritar muito mais alto pra tentar chegar perto desse status.

Se fôssemos todos iguais ­ se todos experimentassem o body-­shaming da mesma forma (e até mesmo apreciação corpo) ­ em seguida, o argumento teria substância. Mas não experimentamos, então o argumento não faz sentido.

A pessoa pode ser body­positive e ao mesmo tempo deixar corpos magros fora da conversa, porque erradicar a opressão às vezes significa descentrar a conversa de todo o opressor. Se queremos trabalhar juntos em um movimento para acabar com body-­shaming, todos nós precisamos de estar a bordo com a idéia de que ninguém deve ser levado a se sentir mal sobre seus corpos.

Mas também acho que se queremos ser solidários com a aceitação de gordura, precisamos analisar criticamente as formas em que skinny-­shaming e gordofobia se diferem por que se nós não estamos preparados para fazer o difícil trabalho de reconhecer nosso privilégios, então nós não estamos fazendo nenhum favor ao movimento também.


As mulheres que arrasaram lá no Senado de Brasília contra a Gordofobia, body-shaming e sendo lindas Feministas arretadas!


Como vocês leram, e creio que entenderam, precisam rever o que é ser body-positive, pois se você acha que é e termina excluindo um dos tipos deles, você não está sendo coerente, amiguinho. E para terminar quero deixar vocês com um pensamento: quando paramos de nos preocupar, nos obstinar com o que é nos passado pela mídia, enquanto você não aceitar suas curvinhas, seu corpo magro, ou seja lá como ele for, se achar lindo, e dizer "não, espera aí, eu sou gostosa(o) como eu sou! pode ir parando!", não vamos ter êxito nessa merda de body-shaming que é tão ocultado pelas pessoas, e por vezes por nós indiretamente.