Como toda pessoa que preze a sua saúde e seu bem estar pessoal, procura sempre estar em sincronia com seu corpo, certo? Não há nenhum mal nisso, muito pelo contrário, devemos sim procurar se exercitar e nos manter vívidos até a nossa terceira idade.
Repare que não citei coisas do tipo "ficar em forma", "malhar" ou até mesmo "corpo perfeito". Sim, isso tudo foi colocado na sua cabeça. Mas por quem? Por seus pais? Pela sua família? Pelos seus coleguinhas do colégio ou faculdade? Ou a sociedade te cobra um tipo de corpo adequado e "bonito ao seu olhar"?
Primeiramente, queria deixar claro que seguir um padrão que é seguido por todos é deixar a sua essência de lado, abrir mão de você mesmo e fazer algo que está sendo imposto - assim você pensa - e que você tem a obrigação de fazer para satisfazer aos outros, não a você. Conheço gente de todo tipo, e há aquelas que detestam academia, detestam se exercitar, mas se sentem na obrigação de ficar com o corpo traçado, já que é uma coisa super pedida lá fora. Ego? Digamos que sim. Personalidade? Diríamos que um pouco afetada.
Já vivenciei momentos em que olharam para mim, simplesmente pelo fato de ser magro - não porque queira, mas algo do biotipo mesmo - e me falarem: "você não come? deveria se alimentar mais! tá magro! é estranho!", e claro, frases como essas fazem você se sentir uma bosta sem ter uma privada pra evacuar... mas, não me abalei, nunca tive problema com meu corpo, e você, leitor, não deveria também. Não deveria, mas há muitos, e logo abaixo irei traduzir (e resumir, pois é muito grande e cansa, me coloco como leitor nessas horas) um texto muito interessante sobre skinny-shaming escrito pela Melissa A. Fabello:
5 razões que nós precisamos parar de pensar sobre "magrofobia" como uma discriminação reversa
Eu sou ativista sobre a imagem do corpo, que tenta trabalhar em solidariedade no caso do movimento de aceitação das pessoas gordas, que são sobreviventes dos transtornos alimentares e que continuam lutando contra questões sobre corpo e tipos de alimentação, e uma pessoa de tamanho médio que fala abertamente sobre os privilégios da magreza.
E por causa da superfície, essa comparação parece reter a água, eu acho que nós precisamos examinála um pouco mais de perto para ver por que ao usar uma lente anti-opressão interseccional é uma falsa simetria.
Sim, skinny-shaming é escroto
Eu quero ser honesta sobre o fato de que o conceito de "skinny-shaming" é difícil falar sobre. As pessoas que experimentaram a dor de ser induzido a sentir vergonha de seus corpos querem ser validadas e reconhecidas por isso e eles devem ser. Ninguém deve sentir como se seu corpo não "fosse bom o suficiente". (Nota: O seu corpo é bom o suficiente.)
E, embora haja problemas com o movimento body-positive, algo que ele tenta trazer é assegurar as pessoas que todos os corpos são merecedores de amor e cuidado. Se queremos ser body positives, então precisamos celebrar todos os corpos e entender que todas as pessoas são induzidas a se sentirem como merda sobre sua aparência. Isso é simplesmente como funciona o capitalismo (a la moda e indústrias de dieta).
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| "Ela é muito gorda pra vestir aquilo!" "Ela não sabe o quanto ela é espaçosa?" "Ela é desprezível", é essa uma das frases mais usadas contra pessoas gordas |
Eu tenho uma relação muito complicada com o conceito "magrofobia".
Mas é claro que eu tenho relação complicadíssima com o "skinny-shaming" (ou melhor dizendo: a vergonha de ser magro). Mas uma coisa que eu venho percebendo com muita frequência sobre a ideia da "vergonha de ser magro" ou "skinny-shaming" (sendo rude ou torcem o nariz sobre pessoas magras) é "discriminação reversa.
Alguns falam que "se nós queremos coibir corpo e ódio, nós não podemos participar desse ódio ao corpo". E nisso eu concordo. Mas há pessoas que falam que a vergonha de ser magro é a mesma coisa de gordofobia, o que não é verdade.
"Eu nunca diria que skinny-shaming é qualquer sombra de aceitável."
Não é.
Como ativistas
de justiça social, também devemos ter claro que o body-shaming é uma ferramenta de opressão. Aqui eu falo como, porque skinny-shaming está enraizada no sexismo que, independentemente dos nossos tipos de corpo, a sociedade policía
eles, porque as estruturas patriarcais se beneficiam da criação dessa insegurança é, de fato, em um nível, opressivo. Mantendo mulheres focadas
fortemente em sua aparência tem sido, nas palavras de Naomi Wolf, "o sedativo político mais potente na história das mulheres." e quando praticamos o bodyshaming estamos
contribuindo para essa violência. Mas eu também quero fazer o ponto de que é necessário tomar uma abordagem interseccional para o pensamento feminista, inclusive nas discussões sobre body-shaming. E é aí que as diferenças entre skinny-shaming e gordofobia vêm à luz.
Interseccionalidade importa
Vamos falar sobre o conceito de "cabelo bom". Se você nunca ouviu falar disso (ou nunca viu o documentário de Chris Rock), é essencialmente uma ideia dentro de comunidades de cor (especialmente entre as mulheres negras) que quanto mais perto da textura Europeia (isto é, reto e liso ) "melhor" o cabelo é. Claramente, podemos ver como isso é sexista: dizer às mulheres que seu cabelo precisa parecer de uma determinada maneira, a fim de ser bonito e que elas precisam gastar uma enorme quantidade de tempo e dinheiro nele para ele faça algo que não é naturalmente inclinado a fazer é um problema.
Mas se queremos desconstruir e analisar este padrão de beleza, temos que pontuar que é eurocêntrico em sua essência que coloca a Européia (leia-se branca) como o ideal.
Não é apenas machista. Também
é racista.
Às vezes o que você chama 'skinny-shaming’ não é skinny-shaming
Vamos discutir a diferença entre igualdade e justiça.
Quando falamos de "igualdade", geralmente o que estamos
dizendo é que queremos que todos na sociedade sejam tratados da mesma forma ou seja: bem. E isso é ótimo.
Mas não há nenhuma
varinha mágica não, nem mesmo o feminismo que vai fazer isso acontecer durante
a noite. Trabalhar por uma sociedade mais igualitária é um processo. E o processo de administrar essa igualdade em fazer o trabalho duro e conscientização que um dia tornará a igualdade
em realidade um dia é a busca da justiça.
E às vezes a justiça parece injusta.
Às vezes parece que as pessoas estão recebendo
tratamento especial. Mas porque não seria necessário
o tratamento especial
se a igualdade existisse, é que a justiça é exatamente isso: um nivelamento do campo de jogo.
Pegue o hit do verão "All
About That Bass" como um exemplo (pondo de lado os argumentos de que é antifeminista em sua abordagem
apenas por causa deste artigo, embora seja desconcertante).
Já ouvi pessoas dizendo que enquanto
eles estão contentes
que a canção celebra corpos que "não
há tamanho dois," o fato de que a letra gira em torno de "trazer o popozão de volta" é problemático porque eles não abordam o mantra "todos os corpos são lindos". O argumento
é que qualquer coisa que coloque corpos gordos como dignos de amor são automaticamente 'magrofóbicos', porque eles não incluem mulheres
magras ou porque estão postulando corpos gordos como algo "melhor do que" corpos magros.
Mas aqui está a coisa: como os grupos marginalizados neste caso, estou falando de grupos
que têm sido sistematicamente deixado
fora de consideração na definição
de "beleza" precisam ser fortalecidos e empoderados para chegar no ponto onde estão as pessoas privilegiadas.
É como se alguém usa a hashtag #AVidaDosNegrosImporta e alguém responde
com
"Todas as vidas são importantes!".
Sem baboseiras.
É claro que todas as vidas importam. É claro que todos os corpos são merecedores de amor e louvor. Mas apenas algumas vidas e apenas alguns corpos recebem privilégios como um direito de nascença.
Todo o resto tem que gritar muito mais alto pra tentar chegar perto desse status.
Se fôssemos
todos iguais se todos experimentassem o body-shaming da mesma forma (e até mesmo apreciação
corpo) em seguida, o argumento teria substância. Mas não experimentamos, então o argumento
não faz sentido.
A pessoa pode ser bodypositive e ao mesmo tempo deixar corpos magros fora da conversa, porque erradicar a opressão às vezes significa
descentrar a conversa
de todo o opressor. Se queremos
trabalhar juntos em um movimento
para acabar com body-shaming, todos nós precisamos de estar a bordo com a idéia de que ninguém deve ser levado a se sentir mal
sobre seus corpos.
Mas também acho que se queremos
ser solidários com a aceitação
de gordura, precisamos
analisar criticamente as formas em que skinny-shaming e gordofobia se diferem por que se nós não estamos preparados para fazer o difícil trabalho de reconhecer nosso privilégios, então nós não estamos fazendo nenhum favor ao movimento
também.
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| As mulheres que arrasaram lá no Senado de Brasília contra a Gordofobia, body-shaming e sendo lindas Feministas arretadas! |
Como vocês leram, e creio que entenderam, precisam rever o que é ser body-positive, pois se você acha que é e termina excluindo um dos tipos deles, você não está sendo coerente, amiguinho. E para terminar quero deixar vocês com um pensamento: quando paramos de nos preocupar, nos obstinar com o que é nos passado pela mídia, enquanto você não aceitar suas curvinhas, seu corpo magro, ou seja lá como ele for, se achar lindo, e dizer "não, espera aí, eu sou gostosa(o) como eu sou! pode ir parando!", não vamos ter êxito nessa merda de body-shaming que é tão ocultado pelas pessoas, e por vezes por nós indiretamente.


