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Lucas. 19 anos. Ator. Gosto muito de ler, escrever, uma formiga à busca de novos gêneros musicais e um amante do Cinema.

Como o Facebook nos faz infeliz


Foto de Luong Thai Linh/EPA/Corbis
Ninguém faz conta no Facebook pra ficar triste e no canto. Mas num novo estudo da Universidade do Michigan, psicólogo Ethan Kross aponta que é exatamente isso que nos faz sentir. Em torno de duas semanas, Kross e seus colegas mandaram oitenta e duas mensagens de texto para Ann Arbor, sua companheira de quarto, cinco vezes por dia. Os pesquisadores queriam saber sobre algumas coisas: como seus súditos se sentiam geralmente; quão preocupados e sozinhos eles estavam; quantas vezes eles tinham usado o Facebook, e com que frequência eles tinham tido um contato direto com os outros desde as mensagens anteriores. Kross descobriu que quanto mais as pessoas usavam o Facebook, menos felizes elas se sentiam – e geralmente a sua satisfação do começo dos estudos foram caindo até o seu fim. Os dados, ele acusa, mostra que o Facebook estava os fazendo infelizes.

Pesquisa da Natureza Alienante da Internet – e do Facebook em particular – denuncia a conclusão do Kross. Em 1998, Robert Kraut, um pesquisador da Universidade Carnergie Mellon achou que quanto mais as pessoas usavam a Web, solitário e mais depressivo eles se sentiam. Depois de estarem conectadas pela primeira vez, seu senso de felicidade e sua conectividade social caiu, por volta de um para dois anos, como uma função da frequência de como eles usavam a Internet.

Pessoas solitárias não eram mais propensos para ficar online, também; uma recente análise de alguns setenta e cinco estudos feitos concluíram que “usuários do Facebook não diferem na maioria dos traços de personalidade dos não-usuários do Facebook” (Nathan Heller escreveu sobre solidão na revista do ano passado) mas, de algum modo, a Internet parecia fazê-los mais alienados. Uma análise em 2010 de quarenta estudos também confirmou a tendência: uso da Internet teve um pequeno, significante e prejudicial efeito no bem-estar em geral. Um experimento concluiu que o Facebook poderia causar os mesmos problemas nos namoros, aumentando os sentimentos de ciúmes.

Outro grupo de pesquisadores sugeriram que a inveja também aumenta no uso do Facebook: quanto mais as pessoas passam seu tempo navegando no site, em vez de criar ativamente o conteúdo e se engajar a isso, mais invejosas elas se sentirão. O efeito, sugeriu Hanna Jrasnova e suas colegas de faculdade, foi um resultado do bem conhecido fenômeno sociopsicológico da comparação social. Isso foi muito mais exacerbado por uma similaridade geral de redes sociais das pessoas para eles mesmos: porquê o ponto da comparação é da mesma opinião dos pares, aprendendo sobre as realizações dos outros sucessos ainda mais difícil. A Psicóloga Beth Anderson e suas colegas argumenta em uma análise recente dos efeitos do Facebook, que usando rapidamente a rede se torna viciante, que vem com uma sensação persistente de negatividade que pode levar para o ressentimento com a rede por algumas das mesmas razões que fizemos a conta logo no começo. Nós queremos saber sobre outras pessoas e queremos que os outros saibam de nós – mas através desse processo de estudo aprofundado nós devemos começar a ressentir a vida tanto dos outros a de nós mesmos, que nós sentimos que precisamos manter continuamente. “Isso pode ser que a mesma coisa que as pessoas acham atrativo, é o que por fim acham repugnante”, falou o psicólogo Samuel Gosling, cuja pesquisa foca no uso da mídia social e as motivações por trás da navegação e compartilhamento.

Mas, como na maioria das pesquisas no Facebook, o argumento oposto é igualmente proeminente. Em 2009, Sebastián Valenzuela e seus pesquisadores vieram com uma conclusão oposta a de Kross: que usando Facebook nos faz mais feliz. Eles também acharam que isso aumenta a nossa confiança social e engajamento – e que também encoraja a participação política. As descobertas de Valenzuela cabem ordenadamente com o que sociopsicólogos sempre souberam sobre a sociedade: como Matthew Lieberman argumenta em seu livro “Rede: porque nossos cérebros estão ligados para Conectar”, redes sociais é um modo de compartilhar, e a experiência do compartilhamento do sucesso vem com uma psicológica e fisiológica precipitação que isso é muita das vezes por uma “força maior”. A prevalência da mídia social tem, como um resultado, mudado fundamentalmente o jeito que nós lemos e assistimos: nós pensamos sobre como nós vamos compartilhar, e com quem nós iremos compartilhar isso, como se nós consumíssemos isso. O mero pensamento do compartilhamento ter sido um sucesso ativa nossos centros de processamento de recompensa, mesmo antes de nós termos de fato compartilhado uma simples coisa.

Rede social virtual pode até mesmo fornecer um pára-choque contra o stress e dor: num estudo de 2009, Lieberman e os pesquisadores demonstraram que o estímulo doloroso dói muito menos quando uma mulher segurou a mão do seu namorado ou olhou para uma foto dele; o efeito da dor crônica da foto foi, de fato, duas vezes maior e mais poderosa do que a dor física. De algum modo, o elemento da distância e a força da imaginação – uma representação mental no lugar da coisa real, algo que os psicólogos Wendi Gardner e Cindy Pickett chamam de “merendas sociais” - tem um efeito anestésico uma vez que nós podemos realizar para uma rede inteira de fotos de amigos.

A chave para entender o porquê dos respeitáveis estudos são tão cruamente divididos na questão de o que o Facebook faz com o nosso estado emocional pode ser simplesmente olhar para o que as pessoas realmente fazem quando elas estão no Facebook. “O que faz disso complicado é que o Facebook é para várias coisas diferentes – e pessoas diferentes usam isso para diferentes casos dessas coisas. Não apenas isso, mas eles estão também mudando coisas, porquê as pessoas terminam mudando”, disse Gosling. Num estudo de 2010 de Carnegie Mellon encontrou que, quando pessoas estão envolvidas em direta interação com outras – que é, postar em murais, conversando, ou “curtindo” alguma coisa – seus sentimentos de união e “capital” social aumentou, enquanto seus sentidos de solidão diminuíram. Mas quando os participantes simplesmente consumiram um monte de conteúdo passivamente, o Facebook teve o efeito oposto, diminuindo os seus sentimentos e aumentando o seu senso de solidão.


Em um experimento desconexo da Universidade de Missouri, um grupo de psicólogos acharam uma manifestação física desses mesmos efeitos. Como os participantes do estudo interagiram com o site, quatro eletrodos ligados à superfície logo acima de suas sobrancelhas e logo abaixo de seus olhos gravaram suas expressões faciais num procedimento conhecido como eletromiografia facial. Quando os assuntos eram ativamente interligados com o Facebook, sua resposta fisiológica marcou um significante e pequeno aumento de felicidade. Quando eles estavam passivamente navegando, contudo, o efeito positivo desaparecia.

Isso alinha-se com a pesquisa anteriormente conduzida pelo John Eastwood e seus pesquisadores da University York numa meta-análise de tédio. O que nos causa para nos sentirmos tedioso a, como resultado, infeliz? Atenção. Quando nossa atenção é rapidamente atendida, nós não ficamos tediosos; quando não a temos, daí vem o tédio. Como o trabalho do Eastwood, juntamente com uma recente pesquisa numa mídia de multitarefas tem ilustrado o maior número de coisas que tem puxado a nossa atenção, muito menos nós estaremos significativamente capazes o bastante para estarmos envolvidos, e mais descontente nos tornamos.

Em outras palavras, o mundo da constante conectividade e meios de comunicação, consagrado pelo Facebook, é o pior inimigo como rede social: em cada estudo que distinguiram os dois tipos de experiências do Facebook – ativo e passivo – as pessoas passaram, em média, muito mais tempo passivamente percorrendo as novas postagens do que estar ativamente participando do conteúdo publicado. Deve ser o por quê geralmente estudos do uso do Facebook ao todo, como Kross e sua parceira de quarto Ann Arbor, cada vez mais frequente se mostra com efeitos prejudiciosos no nosso estado emocional. Exigências sobre a nossa atenção nos leva a usar o Facebook mais passivamente do que ativamente, e experiencias passivas não importa o meio de traduzir os sentimentos da desconexão e tédio.

Uma pesquisa em andamento, o psicólogo Timothy Wilson tem aprendido, como ele disse pra mim que universitários começaram a ficarem “loucos” depois de alguns minutos num quarto sem seus celulares ou um computador. “Ia-se pensar que nós poderíamos passar o tempo para nos entreter-nos mentalmente.”, ele disse. “Mas não podemos. Nós temos esquecido como”. Sempre que temos tempo de sobra, a Internet é uma sedutora e rápida solução que imediatamente preenche a lacuna. Nós ficamos com tédio, olhamos o Facebook ou Twitter, e ficamos com mais tédio. Tentar se esquivar do Facebook não poderia mudar o fato de que nossa atenção é, mais e mais frequentemente desviar o caminho para o bom, cumprindo compromisso. E nesse sentido, Facebook não é o problema. É o sintoma.

Maria Kannikova é autora do best-seller do New York Times “Mastermind: How to think like Sherlock Holmes”. Ela tem Ph.D. em Psicologia na Columbia University.

Texto da Maria Kannikova, postado no The New Yorker. Tradução por mim, Lucas Leopoldino.

Vai uma música que tem tudo a ver com essa puta matéria da Konnikova, música da Placeblo do álbum "Loud Like Love":