Pau no cu de quem ainda não escutou esse último álbum dos meninos da Apanhador Só! Desculpa começar o post desse jeito, mas depois de baixar vai entender o porquê que fiz esse trocadilho de mal gosto.
Bom, o título do post é "Ser ou não ser, eis Apanhador Só", e vou te dizer o porquê: eles são autênticos até demais nesse seu último álbum. Se arriscaram, foram por um caminho que muitas bandas indie no Brasil não tem coragem de tentar. Primeiro: o álbum é meio político (isso depois eu explico, tenha calma), usaram de uma sonoridade única que quase não dá pra fazer comparações com outras bandas existentes (e eu odeio fazer esses tipos de comparação), e também foi um dos álbuns que mais se destacou dentre os quatro lançados até agora... digo, três álbuns, um é EP, que não deixa de ser um trampo, né?
O álbum começa já com aquela coisa do cotidiano: você senta no seu sofá, todo largadão, liga a TV e todas aquelas informações que são empurradas pra você de uma forma tão convincente que às vezes você chega até a acreditar. Tô falando da primeira faixa "Mordido", que fala mais ou menos isso. É como sempre falo: escute, leia, mas sempre saiba ver a sua verdade.
Pronto, faixa seguinte com o nome de "Vitta, Ian, Cassales", próximo passo do seu cotidiano: você levanta da poltrona porque não tem merda nenhuma que você tenha proveito, lava o rosto e começa aquele caos que é enfrentar o trânsito, dizer "bom dia" e não receber nada como resposta, lidar com o mau humor dos outros, engole sapo, porém, tenta pensar que a vida é boa, e deseja que ela passe lentamente. Depois de um dia cansativo pra car*lho você volta pra casa, e de novo, liga a TV e é forçado novamente a escutar aqueles noticiários em que o âncora parece uma pessoa adorável, mas que nos bastidores empurra o estagiário. Agora eu entendo a Liliana...
Faixa três e "Lá em Casa Tá Pegando Fogo", aposto que na sua as vezes acontece quando não se é Classe Média Alta. Joguinho de palavras, os meninos tentam dizer que muitos tem casa, porém, o salário não dá nem pra tampar o buraco do dente, e aquilo começa a incomodar como um incêndio dentro de você. Tá fácil pra ninguém.
Parte quatro do álbum e da sua vida, agora pare e pense em meio ao incêndio que tá acontecendo na sua casa: o que você faz numa situação dessas? Talvez seja melhor despirocar de vez? Talvez? De vez? Pois é, rapaz, muita gente pira o cabeção e termina fazendo merda como entrar pro tráfico e tudo mais. Você lembra do noticiário, da loja de roupas que todos compram e que você tem a necessidade de comprar aquilo pelo simples prazer de mostrar aos outros que você pode tanto quanto eles, pira o cabeção e...
Faixa cinco e você vai para a geladeira quase vazia e encontra aquele "Líquido Preto", preto e docinho, cheio de gás, que é uma delícia. A música que faz uma piadinha com os refrigerantes (sem rótulos, gente, por favor) e mostra que você bebe pelo simples fato de todos beberem, e que no final aquilo te deixa gorda, mas que faz a família feliz. Pau no cu de quem não quer repartir essa alegria com outros (agora entenderam o começo do post?). Daí você lembra do líquido preto, toma porque a fome é demais, e lembra da namorada e senta na cadeira do computador e loga seu Facebook:
Zé: Então me conta o que incomoda, que eu te conto o que incomoda e assim desse jeito vamo acertar! Recolhe o dedo em riste, e vamo junto desviar do que estorva. Pode ser desconfortável, mas só com sinceridade se contorna o muro que, no escuro, se arma. Quanto mais alto, mais silêncio, mais nos afasta...
"Não se precipite", a faixa seis do álbum, fala mais ou menos sobre uma relação à distância. E mesmo que não seja distante a relação, mesmo que a sua namorada more ali na esquina, a tecnologia te distancia, ao invés de somar 1+1. Daí Maria já tá cansada da sua ausência e tá quase entregando os pontos pra você, Zé. E agora? quê que cê faz? Talvez você queira tropeçar, né não, Zé? Então sai por aí sem "Rota" (faixa sete) e faz o que te der na teia! Para de se cansar com esse negócio de internet e tudo mais, é um conselho que te dou, meu bom e velho amigo que não conheço.
Zé virou um puto. Isso mesmo que você tá lendo. Zé não consegue mais ter um relacionamento duradouro. Seria culpa do Facebook? Da superficialidade de uma mudança de Status de Relacionamento num ambiente virtual? Talvez, Zé, talvez... na verdade, Zé acha Meu Bem muito elegante, legal, mas tá pensando em cair fora! Tá de "Torcicolo" de tanto se importar com a vida alheia, seja em vida física ou virtual.
Zé vai ao "Nado" e pensa no porque de tudo aquilo. De se depilar toda vez que fica cheio de pêlos, e porque tuíta tanta merda naquela rede social onde 140 caracteres se faz por satisfeito. Reler aquilo e ver que só falou merda. Na verdade, Zé é um Zé, porque ninguém lê de fato aquele monte de merda que ele fala. Só ele mesmo. Na verdade, ele achou que tudo aquilo que fazia era um Mantra para a sua alma. Ô, Zé, melhora!
"Por Trás" de tudo aquilo Zé chega a uma conclusão: aquilo não faz o mínimo sentido, nem pra ele, nem pra ninguém.
"Já deu pra mim!", disse Zé pra ele mesmo lá na rede social de 140 caracteres. Daí ele resolve se mover, digo... viver! Começa uma "Reinação" de dentro pra fora com Zé. Ele vê que um filho teu não foge ao firmamento azul anil, (que já vai fechar) o mais azul que já se viu, resolve sair da caixa que é a sua casa e vai viajar, vai ser livre (Zé que nunca se deu por conta que sempre foi livre, mas só percebeu isso agora...): compra passagens para a rua e envia um "Cartão Postal" para Maria, e ele conta não tão animado assim:
Encantado com a minha liberdade de anos,Eu tô sentado dentro de um cartão-postal. Olhando aqui de perto tudo é tão normal. A imagem mais bonita de uma capital impressa na revista me deixou feliz, mas olhando aqui de perto, eu admito, tudo é tão normal. Comprei uma asa-delta pra tentar um vôo, tentei, não consegui, mas vou tentar de novo. Problema é que não sei como subir no morro, e é preciso tá no alto pra se atirar... não achei nenhum caminho, mas (tá escrito) eu vou tentar de novo...
assinado Zé
Um pouco sobre os meninos: eles criaram o site da banda e disponibilizam download de todos os seus trabalhos lá mesmo, de graça, e esse álbum que resolvi escrever Antes Que Tu Conte Outra vai lá e baixa, pô! É uma obra de arte, sinceramente. Não foi à toa que foram considerados uma das melhores bandas indies brasileiras e que estão apostando as fichas neles! Eu aposto a minha!
PS: Zé e Maria foram nomes fictícios que dei para desenrolar essa história que é o álbum Antes Que tu Conte Outra.
PPS: Outro suposto nome do personagem Zé é da música deles que é chamada "Um Rei e um Zé"
Vou deixar vocês com uma música do álbum de 2010 que gosto muito, porém, o Zé não gosta muito, pois essa música é o seu lamento para Maria:
